@Vanguedes Facebook Twitter Instagram Youtube

Fã de filmes, HQ's, jogos de videogame, reunião em família, com amigos e com qualquer estranho que ande pela rua. Gosto de companhia e gosto de aproveitar os pequenos momentos de felicidade que temos em nossa vida.

Um sábado confuso e perturbador

Um sábado confuso

Há algum tempo uma amiga me convidou a ir em uma festa porque, segundo ela, a festa era pra “cair o cu da bunda” ou qualquer gíria dessa bem estranha que se a gente for analisar friamente, não quer dizer absolutamente nada. Como que cai o cu da bunda? É um absurdo, mas a gente aceita porque ninguém se importa muito com isso, pra ser sincero.

Naquele dia, quase dois meses antes da festa, começava o evento que se fosse episódio de alguma série americana, se chamaria “aquele do sábado confuso”.

Confirmei presença na festa dois meses antes da mesma ser realizada. Queria mostrar companheirismo e apoio, porque sempre quem escolhe os eventos que vamos sou eu.

Para ser justo, achei que seria legal mostrar que estava do lado dela, sem nem olhar direito do que se tratava a festa.

Peço uma pausa para te colocar a par de um termo técnico muito usado em negociações. Quando queremos invalidar uma teoria ou um produto, usamos a frase “papel aceita tudo”, com o intuito de dizer que na teoria, qualquer coisa pode funcionar. Na prática, como bem sabemos, não é sempre assim.

Nesse caso, eu mudaria a frase para “descrição de evento de Facebook aceita tudo”. Porque na descrição aquela festa seria perfeita. Tinha bebida, tinha gente bonita, tinha música de qualidade, tinha muita coisa legal para acontecer.

Convidei um amigo de longe para vir para minha casa, para levar ele em uma das festas mais bombadas que o Rio de Janeiro poderia oferecer. Convidei a Crush para ir comigo também, porque né, festa boa é festa com pegação e diversão. Essa minha amiga chamou o Crush dela e já estávamos planejando como seria divertido e quantas infinitas possibilidades nós teríamos na tal noite.

Enquanto Henrique e eu íamos para o local da festa, encontramos um grupo de crentes muito animados, cantando e fazendo bagunça com instrumentos improvisados. Ao que tudo indicava eles estavam indo para um luau na praia, a julgar pelas vestimentas. Ou isso ou erraram a hora e pretendiam chegar cedo demais na praia.

Claro que não ficamos com inveja, porque nossa noite prometia muito mais. Tínhamos um mundo pela frente. Um mundo de possibilidades, de música boa, de gente bonita.

Encontramos o pessoal em um bar e partimos para a festa. A noite era uma criança. O local era bastante inapropriado. Eu nunca tinha ouvido falar do local e ao olhar para a entrada eu percebi bastante o porque disso. Não tinha ninguém na entrada. Haviam duas pessoas que trabalhavam na equipe e só.

Pensando melhor agora, talvez uma dessas nem trabalhasse na equipe. Talvez fosse só um desabrigado que viu ali uma oportunidade de ser colocado para dentro de alguma festa pra preencher o espaço que encontraríamos lá dentro.

Não havia mais ninguém na entrada. O local também não era de fácil acesso. Era meio isolado, meio inóspito, sabe? Daqueles lugares que alguém escolheria pra ir caso precisassem matar alguém e não ser visto por nenhuma testemunha.

Entramos na festa porque se o lugar não era convidativo, a descrição do evento era, e muito. Assim como você se decepciona quando pega aquele pote de sorvete na geladeira, pega uma colher, senta no sofá, liga a Netflix e percebe, tarde demais, que o pote só tinha feijão, foi a nossa decepção ao entrar na festa e encontrar umas 10 pessoas dançando uma música muito estranha em um ambiente completamente desconexo com a realidade.

As músicas eram de um formato que nenhum de nós conhecia. Ela começava boa, mostrava ao que veio e de repente mudava completamente e virava um bate estaca estranho e descompassado, deixando a gente bem perdido sobre o que realmente estava acontecendo na tal festa ou sobre que música estavam tocando.

Ficamos o máximo que conseguimos ficar. Mas cada minuto que passava a gente só queria mais e mais ir embora dali o mais rápido possível. Estava ficando difícil fingir animação. Em algumas conversas paralelas longe da nossa amiga que organizou a caravana para tal festa, tentamos manter a animação para deixá-la feliz, porque estávamos esperando muito que ela estivesse gostando.

Quando foi lá para umas 4 horas, não foi mais possível manter a farsa e pedimos para ir para outro lugar. O problema é que esse outro lugar teve como alternativa a Lapa, que a essa hora já estava com os bares todos fechando e não tínhamos mais muita opção de diversão para salvar a noite.

Fomos para a Lapa, andamos de bar em bar implorando para nos atenderem e acabamos parando em uma carrocinha de cachorro quente que também nos expulsou quando percebeu que ninguém queria comprar nada, só se sentir aceito em meio aquela multidão de bares fechando.

Se eu soubesse que a minha noite seria assim eu tinha acompanhado o pessoal do luau gospel. Pelo menos lá a animação era certa e a gente ainda podia se converter, caso tudo desse muito errado.

Um quebra-cabeça com peças iguais

Peças iguais

Ela gosta de café, ele, chocolate. Ela gosta de ação, ele, documentário. Ela gosta de pop, ele, rap. Ela gosta de acordar cedo e ele gosta de não ter hora pra acordar, mas quando cruzam os olhares, é como se todas as diferenças fossem por água abaixo.

É o único momento em que são semelhantes: os dois se querem, mutuamente.

Ele já saiu com outras garotas. Princesas de aba reta. Conversavam sobre rap, sobre música, sobre o cenário de política, sobre as batidas, sobre como se conectavam quando estavam ouvindo um som, fumando juntos, falando para os amigos como eles eram incríveis. Mas nem eram, na verdade. Só eram iguais. Eram mais amigos que amantes. Estavam mais felizes por terem encontrado com quem conversar do que encontrado com quem queriam passar a vida. Não encaixava, sabe?

Ela também já saiu com outras garotas, outros garotos. Outras pessoas. Passava horas da noite de sexta feira curtindo com as amigas em boates, usando gírias “lacrantes”, usando roupas com glitter e salto que nem sabia como ficava em pé. Tinha encontrado amigos que se identificavam com ela, adorava conversar com um outro amigo que tolerava as extravagâncias dela, que tolerava os amigos dela, que tolerava…apenas tolerava. Ela não queria tolerância, queria liberdade. Nenhum deles entendia isso. Não encaixava, sabe?

Até o dia em que se encontraram. Perceberam onde erraram todo esse tempo. Não era na igualdade que estava seu amor, era na diferença. Não tinham uma música do casal, não tinham hobbies juntos, cada um tinha uma vida, cada um tinha sua particularidade e no fim das contas era o que mais amavam neles. Os dois podiam ser eles mesmos, sem esperar que precisassem mudar, porque se amavam assim, desde o primeiro dia que se viram. Podiam manter os círculos de amizade, as boates, as rodas de rima, as discussões sobre diva pop e sobre o cenário político atual.

Quando perguntavam sobre as diferenças, eles mostravam uma tatuagem no braço, de peças de um quebra-cabeça. Peças diferentes, lógico. Afinal, você já viu um quebra-cabeça montado com peças iguais?

Bom dia perpétuo em grupos do Whatsapp

grupos de whatsapp

Rotina comum em grupos do Whatsapp é alguém começar com um bom dia, pessoal responder e, dependendo do tamanho do grupo, só terminarem ao cair do sol, quando já é quase boa noite. Aí ninguém nem consegue mais falar sobre nada, de tanto bom dia que se precedeu.

Não tem muito pra onde correr. É uma prática comum dar bom dia aos outros e as pessoas entenderam que era interessante levá-la para dentro de um mundo virtual não contínuo, onde você não precisa aguardar que a pessoa esteja online para responder, onde você não precisa dar bom dia, esperar a resposta e pedir a ajuda que você quer (afinal, qual outro motivo para dar um bom dia aleatório para alguém que você não fala há anos?).

Não é algo que se consiga vencer. Você se rende ou você ignora. Combater é uma prática ainda pior do que dar bom dia, porque as pessoas anseiam por isso. As pessoas precisam responder ao bom dia do seu tio de terceiro grau que casou com a uma conhecida da sua tia de oitavo grau e passou a ser conhecido como “tio” pela sua família. É importante para elas, mesmo que para a maioria do mundo não signifique nada. “Ele vai ficar sentido”, argumenta sua mãe e você finge entender.

Lutar contra a prática é criar uma rotina de discussão e e perpetuação da discussão, uma vez que a não realização dos “bom dia” coletivos é algo que está longe do imaginário coletivo. Aceite a dor de ter que começar um assunto toda vez que alguém der bom dia e prepare os seus sites favoritos para que sempre tenha um link legal para compartilhar e começar um assunto. Mas que este link não seja só um boato, porque aí a gente vai ter que entrar no tema de perpetuação das explicações de boatos em grupos de Whatsapp. Esse, meus amigos, é um assunto que nunca terá fim.

Eu escolhi não odiar

Eu escolhi não odiar

Eu não gosto de Segunda-feira, eu estou extremamente insatisfeito com alguns filmes e séries de heróis que saíram ultimamente, eu não acho muito legal quando alguém que está comigo mexe com alguma mulher na rua e não gosto muito quando vou comer alguma coisa visualmente linda e tem gosto de papelão molhado, igual cupcake costuma ser.

Lembro de uma vez que minha mãe disse que odiava o pão de uma padaria específica e isso me incomodou profundamente. Porque ódio era algo muito forte pra despejar assim, por causa de um pão. Minha mãe era intensa assim e eu, por muito tempo, também fui. Parei diversas vezes e observei o que eu estava fazendo com a minha vida e não fiquei nada satisfeito em saber que eu era um dos responsáveis por perpetuar aquele pensamento que eu achava tão errado. De odiar algo simplesmente por odiar. De escolher odiar por falta de conhecimento de outros sentimentos.

Então, escolhi parar de odiar.

Guardo meu ódio para quando for realmente necessário e, ao meu ver, poucas vezes na vida precisamos odiar alguém ou algo. Na maioria das vezes existem outras centenas de adjetivos que podemos usar que demonstram igual ou pior insatisfação com algo, que permitem uma redenção posterior e que não te fazem sentir mal por ter

Escolha não odiar.

I keep dancing on my own

Dancing on my own

Não adianta me dizer que te faço rir, que eu sou o cara perfeito pra você, que nossos olhares não param de se cruzar e que eu te faço bem como muitos não te fazem há tempos, se eu continuo dançando sozinho.

Vou dormir pensando em você, querendo seu abraço e pedindo por um beijo de boa noite. Você se despede, diz que “ama”, que está com saudade, mas a mensagem não é pra mim. Eu continuo dançando sozinho.

Você diz que terminou por não parar de pensar em mim e eu continuo sozinho. Você me diz que essa música lembra você, que o sol te lembra meu sorriso, que essa música lembra a gente, mas você não vem dançar comigo. Eu continuo dançando sozinho.

Eu já vi você beijar todas as bocas e me deixar de lado para rir de algo que não tinha graça. Você já me deixou de lado pra ver jogo de futebol, de vôlei, de basquete e qualquer outro esporte que tenha achado mais interessante. Não é possível que não perceba que eu estou dançando sozinho há meses.

Enfim, você veio me tirar pra dançar…mas eu já estou há tanto tempo dançando sozinho que já havia desistido. Prefiro continuar dançando sozinho a ficar com alguém que me viu dançar por todo esse tempo e não fez nada.

Espero que consiga uma nova companhia que não conheça o próprio valor e aceite dançar em troca de atenção.

Eu vou continuar dançando sozinho…porque sei o valor dos meus passos.

Baseado na música Dancing on my own, Robyn, interpretada por Calum Scott.