Uma festa de arrasar quarteirões

party hard blog

Atire a primeira pedra quem não adora ir à festa de criança e se entupir de guloseimas gratuitas. Que me julguem aqueles que não gostam de levar os sobrinhos e filhos para as festas de seus amiguinhos só para comerem os doces, roubarem as balas e tomar os brinquedos das mãos das crianças mais desavisadas.

No último sábado eu fui convidado para uma festa dessas. A melhor parte: eu não teria que levar criança. Por ter sido convidado pela tia do aniversariante, nós não precisávamos levar criança nenhuma para a festa. Éramos só nós e todos os doces que pudéssemos comer.

Algumas poucas coisas me desanimavam de ir à tal festa:

1. Eu não conhecia ninguém, a não ser a tia do aniversariante;

2. A localização da festa era dentro da comunidade do Caju. Favela, outrora, perigosíssima, agora pacificada;

3. O fato de que era um churrasco e provavelmente haveria pagode, funk e axé.

Exceto por funk e axé, todos os outros pontos estavam presentes na tal festa.

Para começar bem a festa, o mapa enviado pelo pai do aniversariante (irmão da minha acompanhante), era impossível de ser seguido. Era algo como “Passe a passarela 03, depois dobre no retorno do INTO, depois voe por cima da Marechal Floriano, suba de ultraleve pelo morro da Urca, pule de para quedas até a entrada do Caju e pronto! Chegou.”.

Eu não acreditei e não entendi quando vi a tal passarela passando e o retorno ficando para trás. Era impossível eu, de onde eu estava, pegar o tal retorno. Os outros passos ainda seriam impossíveis de serem seguidos, mas eu estava preocupado apenas com um: o tal retorno.

Como não consegui pegar o retorno, acabei entrando na rua errada e dando graças a Deus pela comunidade estar pacificada. Se não estivesse, era certo que eu encontraria metade da população criminosa do Rio de Janeiro me esperando na rua que entrei.

Ao invés disso encontrei a polícia. Alguns diriam que essa situação era ainda pior.

Eu não sabia bem no que acreditar, mas com certeza continuei com o mesmo medo de antes.

Depois de algumas ligações, alguns atalhos, conseguimos chegar à festa.

O povo muito simpático, muito amigável, muito tranquilo. Comida, bebida, doces, pipocas. Tudo que uma grande festa precisa ter. Menos convidados. Convidados deveriam ter uns 10. Mas eu não estava ali para encontrar os convidados, estava ali pela comi…digo, para honrar o aniversariante com a minha presença. Ou quase isso.

Em dado momento da festa, como um grito de comemoração em meio a tantos gols, houve um barulho ensurdecedor e a luz da festa se apagou. Pelo barulho que houve, só consegui deduzir três coisas:

a) Estavam invadindo a casa em busca de perigosíssimos criminosos fortemente armados;

b) a laje estava caindo e todos morreríamos;

c) Era o fim do mundo.

Independente de qual fosse a resposta, eu havia ficado muito assustado com o tal barulho. E como logo em seguida também ficamos sem luz, não deu pra saber muito bem o que estava acontecendo. Até conseguir entender, eu já havia reparado que estavam resgatando uma pessoa que havia ficado presa em cima de uma telha e que o muro que fornecia ajuda para quem subisse a escada já não existia mais. Em resumo, a pessoa que estava subindo a escada, apoiou-se no muro e o trouxe abaixo. Junto com nossa coragem em ajudá-lo.

Eu fiquei paralisado. Metade da festa correu para ajudar, mas eu pensei: Vai que eu me debruço ali pra ajudar ele e a laje cai. Afinal, eu ainda estava achando que a laje estava caindo. Fiquei igual uma franga, paralisado enquanto via o coitado ser resgatado. Sorte dele ter mais gente na festa do que só eu.

Vou ficar aqui pendurado até você me ajudar!

Me dá um pedaço de churrasco aí! Tô com fome.

Após o acidente, ainda houve um momento de que tentávamos acalmar a esposa do acidentado, mostrando pra ela que ele já estava bem e andando. Que só havia sido um susto. Primeiro foi a sogra dela. Gritava, sacudia, esbofeteava, dizendo pra ela ficar calma. Depois, foi uma outra senhora, que tenho certeza absoluta que é psicóloga, pela calma que lidava com a situação.

PARA DE CHORAR!!! Não está vendo que ele já está bem? Vai chorar pra quê? Para de chorar agora. Levanta essa cabeça. Para de chorar!!!! Não vai levar a nada chorar. Reage! Levanta e para de chorar!

Realmente funcionou. Ela parou de chorar, mas eu fiquei tão assustado com a cena que também comecei a chorar. Mas fugi antes que ela pudesse tentar me acalmar.

A festa continuou, muito tranquila e sem muitas complicações. Ficamos o tempo todo pedindo para que as pessoas se afastassem dos outros muros, porque se um deles caísse, iria cair em cima do meu carro. Não quer só questão de segurança, era questão de bom senso.

No fim das contas, a festa foi muito boa e nos divertimos bastante. Comemos e bebemos muito e, tirando o risco de morte, não tivemos do que reclamar.

1 Comment

  • Reply Jeferson Souza abril 15, 2014 at 2:50 pm

    Que festa, hein! A festa infantil com mais emoção do que qualquer outro tipo de festa. Bom que você é um sobrevivente.

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