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Fã de filmes, HQ's, jogos de videogame, reunião em família, com amigos e com qualquer estranho que ande pela rua. Gosto de companhia e gosto de aproveitar os pequenos momentos de felicidade que temos em nossa vida.

Cry me a River

É com este título de uma música do Justin Timberlake que eu inicio um dos posts que mais vão entregar sobre minha personalidade. O ato de chorar por si só já é degradante (tem regra na língua portuguesa sobre três palavras acentuadas em seguida?) e é uma verdade absoluta que hoje em dia os programas de televisão tentam ao máximo tocar em uma parte de seu cérebro que te faça sentir-se uma mulherzinha e cair em lágrimas, seja onde for: Cinema, shopping, sentado no sofá, no motel. Onde for, não há limitações para a falta de escrúpulos de Hollywood e seus tentáculos de emoções.

Eu não sou um cara sentimental. Sou um cara tradicional. Gosto de ver filmes, gosto que as emoções cheguem até mim mas dificilmente vejo algo realmente digno de marejar meus lindos olhos castanhos. Tá, eles não são lindos, mas são olhos, o que faz dessa frase uma meia verdade.

AVISO

Caso você não tenha interesse de acompanhar Lost ou caso você já acompanhe mas esteja nas últimas temporadas, não tem problema algum em ler o texto a seguir. Caso não tenha visto ainda mas tenha intenção de ver, pare por aqui porque irei comentar um caso da série.

Pronto, agora podemos continuar sem interrupções de gente chata que fica se esmigalhando em lágrimas porque leu um spoilerzinho de nada.

Continuando o assunto. Poucos momentos da indústria cinematográfica foram importantes o bastante para me fazerem chorar e demonstrar meu lado mulherzinha. Por sorte eu sempre caio em desgraça quando estou sozinho.

Listo abaixo os poucos, vale sempre lembrar que foram poucos, momentos que me fizeram lembrar de como eu sou um franguinho indefeso diante de certas situações.

LOST

Essa série é um prato cheio pra ficar instigando aquela parte do seu cérebro que diz “Você vai chorar, seu filho de uma p***”. Em vários momentos de Lost esta área do meu cérebro foi afetada. Eu fiquei meio com medo, fiquei tenso, fiquei apaixonado pelas atrizes. Eu tive várias reações assistindo esta série que figura entre uma das 10 mais da minha lista de séries favoritas.

vejam o vídeo abaixo:

Não importa a hora, o dia, a época que eu vir este vídeo. Eu SEMPRE vou me emocionar ao ver o Charlie se esforçando ao máximo para morrer e salvar os outros membros da ilha. Eu me segurei por horas pra não soltar lágrimas vendo a despedida ensandecida de Charlie, mas não consegui. Ao vê-lo saltar no mar sabendo que o futuro era seu fim, eu não consegui e me acabei em lágrimas.  Este episódio inteiro (“Greatest Hits” – Melhores Momentos -3.21) me deixou com este sentimento deprimente, mas foi neste momento, no salto do Charlie em que meu coração não aguentou e se acabou em lágrimas.

Extreme Makeover

Para quem não conhece, é um programa de gringos designers/arquitetos que reúnem-se para reformar (ou reconstruir) uma casa para uma determinada família, escolhida por milhares de cartas que enviam pra eles (se você pensou em Lar Doce Lar, MORRA). Acontece que, como era de se esperar, a produção do programa escolhe as famílias que têm sempre uma coisa em comum, a morte de algum ente querido. Dificilmente você vê esse programa e não vê nenhuma família que tenha passado por uma tragédia foda e que tenha levado algum ente querido para o limbo. Vejam o naipe do programa.

Acontece que isso não me comove mais. Quem mora no Brasil e quem vê meia hora de TV brasileira, não pode nunca se comover com morte, com separação ou com crianças arrastadas por carros. Sempre tem uma Sônia Abrão da vida ligando pro pai da criança na hora em que ela está sendo arrastada, tudo isso só para mostrar solidariedade à família. Tá bom.

Tudo ia bem enquanto assistia ao show dos designers. Os caras sabem fazer a parada. Infelizmente não tenho um vídeo para vocês, mas posso garantir que foi uma coisa realmente comovente. Imaginem o Gato de Botas, com a cara mais fofinha dele, sendo trucidado por uma lata de refrigerante em camadas, cortando sua pele e retirando seu pêlo, depois sendo jogando em um liquidificador e sendo triturado por hélices vindas de cartazes de Jogos Mortas 64. Imaginou? Foi o mesmo que eu senti quando vi a cena do Extreme Makeover.

O lance é que o garoto havia morrido em um acidente de carro e a mãe estava com o coração dilacerado (sem piada porque isso é brabo). Daí, Ty (o apresentador do programa) resolve trazer a dita senhora um pouco mais cedo para casa, porque tinha uma surpresa para ela. A garota que havia recebido o coração doado de seu filho estava lá e queria agradecê-la pessoalmente. Ah, vá pra p***. Você pode estar batendo no peito aí que é fortão e você não choraria. Quero que você morra e seja estuprado pelos atores de Oz. Não adiantou. Eu estava acordado até aquela hora (a essa altura deviam ser umas 0:30 de domingo para segunda, logo, eu deveria estar dormindo pra ir trabalhar) e meu “sentimentômetro” não estava lá muito bem. Dessa vez a esposa já estava dormindo e eu aproveitei para desabar em lágrimas. Chorei igual criança quando perde seu brinquedo. Tentei parar e não conseguia. Daí no final, para culminar com minha inquietudo, os designers resolvem instalar uma placa de “Vá devagar” onde o garoto havia se acidentado. A mãe chorou, a irmã chorou, eu chorei, metade do mundo que estava vendo deve ter chorado. Só você, o fortão, que não chorou. Adebisi espera por você.

Sete Vidas

Esse não foi um caso meu, mas de uma pessoa próxima. Se você não viu o filme, não leia. Vou revelar um spoiler. Minha ex-cunhada, Andresa, é uma pessoa centrada. Faz faculdade, trabalha (demais, até), as vezes sai com os amigos e gosta muito de ver filmes. Certa vez, fomos ao cinema vermos um filme. Não sabíamos o que ver e eu nem lembro as condições exatas da situação, para ser mais sincero. Entre vários filmes em cartaz, escolhemos ver Sete Vidas. Drama estrelado por Will Smith e uma latina que não me recordo o nome mas que me lembra, de longe, a Eva Mendes.

Para que você entenda, eu avisei do Spoiler, Sete Vidas é um drama onde um cara que tirou a vida de sete pessoas, inclusive de sua mulher, passa a sua vida tentando reverter a situação, oferecendo uma nova vida para outras 7 pessoas. O filme tem uma idéia fantástica, embora meio óbvia. As situações são muito legais e algumas até meio “realistas” demais. Você já deve imaginar o que vem pela frente. O cara se apaixona pela mulher a quem ele doaria o coração, se arrepende de ter que fazer o que vai fazer, mas faz. Sem dó nem piedade ele se mata, com o cuidado de um cirurgião, para manter o coração intacto e poder oferecê-lo a sua, agora, namorada.

Claro que a cena comoveu muita gente que estava no cinema, mas Andresa, a ex-cunhada, não ficou só comovida como também fez questão de chorar e soluçar em altíssimo som. Era impossível não perceber e não sentir vontade de confortá-la. Imagino que todos que estavam próximos quiseram chegar mais perto e abraçá-la, oferecendo um ombro amigo a uma pessoa desamparada que acabara de perder alguém muito querido. Um personagem de um filme.

O melhor de toda a situação é que algum tempo depois, alugamos o mesmo filme para que o namorado dela pudesse ver, para mostrar para ele como o filme é bacana. Acontece que no final do filme a Andresa chorou em igual, ou maior, proporção do que a vez em que estávamos no cinema. Isso não faz dela uma pessoa frágil, só demonstra que ela também tem coração e que você será enrabado pelos atores de Oz se continuar rindo da gente.

Tá rindo de que, maluco?

Canhotos, histórias de superação. – UPDATE

Canhoto é um termo comumente usado para “Pessoa desprovida de habilidades para escrever com a mão correta”. Em minhas vastas pesquisas, pude perceber que os canhotos se dotam de uma egocentricidade extraordinária para discutir certos fatos, citando feitos dignos de serem citados no jornalzinho da escola, como coçarem o ombro direito com maestria, er….é…bom, é isso que os canhotos podem fazer de diferente.

Não importa o dia ou hora em que você  questionar um canhoto de sua deficiência, ele irá se munir imediatamente de argumentos falhos e capengas em relação a todos os canhotos mundialmente conhecidos, como se o fato de ter existido no mundo da “fama” UMA pessoa canhota, permitisse que ela mesma pudesse realizar tal feito. O que nos importa, sinceramente, se Albert Einstein, Adolph Hitler, Tom Cruise, Julia Roberts e Keanu Reeves são canhotos? É como se o fato dessas pessoas terem sido importantes em sua época tenha a ver diretamente com o fato dela ser canhota. Tom Cruise não é um bom ator por ser canhoto, ser destro ou canhoto não faria diferença nenhuma em sua profissão.

Caramba, quanta habilidade em ser canhoto

Se seguíssemos o mesmo padrão de raciocínio falho dos canhotos, poderíamos ver que há muito mais destros famosos e geniais da ciência conhecida do que canhotos. Neste caso, canhoto é quase uma deficiência que é sempre atribuída ao nome para dar um significado para que aquela pessoa seja especial para um grupo de indíviduos: “Fulano pintou esse quadro inteiro com a mão esquerda”. O fato de pintar já é surpreendente. Ser com a mão esquerda só o faz uma criança excepcional e digna de ser assistida pelo AACD.

Quantas celebridades e gênios você conhece? Faça uma lista, por favor. Depois procure saber qual deles era canhoto e qual era destro e você verá, surpreendentemente, que a parcela de destros em qualquer lista (seja na escola, revistas de moda, listas de quem ganhou o bolão da empresa) será sempre SUPERIOR aos canhotos, justamente para salientar o fato de que canhotos são inferiores em sua vida medíocre de tentar ir contra a correnteza da vida.

Uma pessoa canhota normalmente tem uma letra horrível, e as que não possuem tal características certamente usam alguma forma de burlar as regras para se fazer parecer um destro. Observem abaixo a tentativa desesperada de um amigo querendo demonstrar que sua caligrafia era perfeita, mesmo tendo sido escrita com a mão esquerda, a mão, que todos sabem, tem ligação direta com o DEMO.

Sintam a Fúria do Canhoto!

Realmente uma letra apreciável, concordam? Só mesmo se vocês possuíssem catarata congênita em todos os olhos. É claro que é uma tentativa pífia de se fazer parecer uma pessoa normal. Na melhor das hipóteses, esta pessoa, que não gostaria de citar o nome,  pediu a UMA VIZINHA para escrever esta frase de conotação tão depreciativa para minha pessoa.

Canhotos só não são tão lamentáveis quando apreciam sua deficiência (e todos eles o fazem de forma exagerada, como já foi dito) e resolvem tirar proveito dela, indo jogar bola do lado esquerdo do campo, trabalhando como reflexo humano em espelhos pela cidade ou coisas que o valha. Lembrando que todas estas atividades podem ser reproduzidas por destros de forma tão exemplar quanto os mesmos, tornando-os tão especiais quanto um grão de feijão estragado dentro de um pote de milho.

UPDATE

Acabei me esquecendo de citar uma parte importante da evolução dos destros e do resto da humanidade, os canhotos. Parando para avaliar alguns comportamentos, podemos observar que dentre esta classe tão distinta que são os canhotos existem certas pessoas com um histórico de superação e de determinação, são os ambidestros.

Para começar, podemos perceber que a palavra vem de uma origem muito sábia. A pessoa não é duas vezes canhota. Ela é duas vezes DESTRA, logo, vale informar que o ambidestro é uma evolução, ou tentativa de melhoria de uma deficiência, de uma classe desfavorecida pelo nosso senhor Jesus.

Ambidestros são a prova de que mesmo estando ruim, você pode lutar e tentar melhorar sua vida. Não deixe que a vida te deixe pra baixo e te limite. Seja ambidestro e lute por uma vida melhor e com caligrafia perfeita.

UPDATE

Caros canhotos, finalizo este post solicitando sua digitação errônea e pausada em minhas caixas de comentários para discutirmos sobre como superar suas deficiências e conviver bem com elas, aceitando-a e tratando-a como o câncer que é ser canhoto, obrigado.

 

P.S.: Agradeço ao One Piece pela sugestão do Update. Um destro gente boa.

Maldição Tecnológica. Entenda!

Sabe a decepção? Então, sou eu. Dessa forma melodramática e chorosa que eu começo um texto que marca uma das fases mais aterrorizantes da minha vida. Uma maldição tecnológica caiu sobre mim e nada que eu tente fazer consegue desfazer tal maldição.

Você deve estar rindo e se agonizando de alegria enquanto lê sobre minha desgraça, e por isso eu desejo que você seja preso por acidente em uma cela de uns 4 sul africanos e seja acusado de estupro, pra ver o que é vingança.
Imagine que você vai até o microondas e ponha uma pipoca para estourar. Aguarde alguns minutos e o microondas dê um pulo, três cambalhotas, pegue fogo, tire seu rim e venda no mercado negro, estupre seus animais e depois caia como uma pedra sobre seu dedo mínimo do pé. Pois é, o microondas lá de casa ainda está intacto, mas os videogames, não posso dizer o mesmo.
Eu não sei bem quando isso começou, e se acreditasse em deus eu diria que ele está se vingando por algo que eu possa ter dito ou feito com alguém de menos posses de “diversão” que eu, o que é uma baita mentira, tendo em vista que eu até deixava as crianças que nos visitavam olhar enquanto eu me divertia no videogame, matando gringos e roubando carros no GTA IV.
Começou com meu MP5 (um troço que uso pra ouvir música). Deu um erro e não ligava mais, daí então segui em frente pegando emprestado o da esposa (que tendo em vista a situação, está com os dias contados) e continuei ouvindo música, deve ter sido aí. Quando os aparelhos eletrônicos começaram sua vingança contra mim, eu deveria ter percebido e sido um pouco mais generoso com eles. Logo eu, que tenho um histórico de cuidar MUITO BEM de brinquedos antigos que tive. Tenho inúmeros bonecos e apetrechos que brincava quando criança, todos em ótimo estado de conservação, logo, era de se esperar que este fenômeno fosse se repetir com os videogames. A não ser que eles não quisessem. E eles não querem.

PSP

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Mais um pro saco.

Em determinado momento, depois de tentar instalar um jogo no Cartão de memória do PSP, conectei-o ao USB do laptop para formatar o cartão. Acontece que decorrente dos erros anteriores, por algum motivo que eu nunca vou entender, a memória do dispositivo foi alterada para a memória Flash do console. Memória flash é o que o PSP usava, sim, no passado, para ligar-se. Logo, como ela foi formatada, é meio difícil ele conseguir se ligar novamente. Aí começou mais uma saga da minha maldição.

Xbox 360

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Segundo no saco.

Numa sexta feira, liguei o Xbox para deixar um amigo jogando enquanto iria terminar um episódio de House com a patroa. Antes mesmo de ouvir o som dos jogos, fui interrompido por um enorme aviso dizendo “Você foi banido, seu imbecil”. Fiquei triste e inconsolável, mas já imaginava que isso fosse acontecer um dia. Sabia que a Microsoft não iria deixar barato todo esse tempo de utilização irregular de seu console querido. Acontece que mesmo sabendo, eu nunca imaginei que fosse acontecer. Até que o aviso na tela me fez perceber como sou tolo.

WII

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WII. No saco também.

Tudo já estava indo de mal a pior. PSP tinha ido pro saco, Xbox banido e eu pedindo a deus que nada acontecesse com o WII. Mais uma vez eu fui tolo. As empresas são espertas e sabem o que estão fazendo com seus consoles por aí afora. Para te obrigar a se fuder de verde e amarelo, elas ficam lançando atualizações de jogos para que você seja obrigado a cooperar e atualizar, para, em seguida, tomar um erro lindo na tela. Fui instalar uma atualização via jogo para conseguir jogar uns novos jogos que saíram. Como sou um cara sagaz, dei uma pesquisada na internet e vi que todo mundo tava falando que não tinha problema, que o máximo que poderia acontecer seria eles tirarem um canal de Homebrew, que depois eu poderia instalar novamente. Vi que não seria tão ruim, afinal, eu poderia jogar jogos novos sem me preocupar com nada. Então, lembra que falei da minha tolice? Tomei um erro bonito e agora o WII também está lá quieto esperando um conserto que caiba dentro de meu orçamento.
Este post pode parecer um lamento de um nerd que perdeu seus brinquedinhos que tanto ama (realmente eu os amo) e é. Não há outro objetivo para postá-lo aqui, apenas me lamentar e pedir que vocês orem para suas crenças para que isso pare de acontecer. Eu já aprendi a lição e nunca mais vou zoar meninos da Etiópia que não têm com o que brincar e se divertem chutando crânios. Prometo ser legal e honesto pro resto da vida, desde que eu possa jogar incansavelmente e me divertir novamente. Só isso que quero. É pedir muito?

A Verdade dói.

Segundo a Wikipédia, temos:

“Verdade significa o que é real ou possivelmente real dentro de um sistema de valores.”

A verdade é um conjunto de valores que nos fornece material para calarmos nossas bocas em determinadas situações, ou no mínimo, mentirmos sobre determinados questionamentos, para evitarmos danos maiores.

Ter a verdade como modo de vida é uma prática impossível de se exercer nos dias de hoje. Você não pode simplesmente sair por aí falando a verdade, por mais “bobinha” que seja. Em determinados momentos, a verdade dói. E muito. Não como um chute no saco, nem como uma voadora de dois pés nos peitos, mas a verdade, quando usada sem dó, pode causar dores irreparáveis com o tempo.
Quando questionada sobre o porque de não querer ficar perto de seu avô, uma de minhas (muitas) sobrinhas foi direta em dizer “Porque ele fede”. É claro que para ela a resposta foi natural, não era errado mentir, ainda mais para seus pais, que a educaram de forma exemplar.

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Profissional do Ramo da Mentira

A verdade não deve ser dita em vão, ou então perderá seu poder. Uma verdade bem dita em um determinado momento pode mudar toda a percepção de uma pessoa sobre uma situação. A menina trocada pelo namorado que insiste em querer uma resposta “verdadeira” do mesmo não está buscando a verdade, está buscando uma forma de enfurecer-se com ele. Nesses casos, a verdade não é uma opção, caso contrário, a fúria de uma mulher ensandecida caíra sobre sua cabeça.

Um roqueiro que afirma conhecer determinada banda apenas para parecer “cool” entre os amiguinhos rebeldes não está usando a mentira como arma, mas como escudo para se proteger dos olhares de reprovação para sua condição (de roqueiro) caso não conheça tal banda.

Em outro caso, onde uma menina foi rejeitada e agora, depois de chorar e se lamentar por “perder o amor de sua vida”, luta com todos os esforçor para denegrir a imagem do rapaz que outrora tanto amou. De onde vêm essas verdades, se no momento em que estavam bem elas não existiam? Porque um momento que não deveria ser citado em discussões é tão lembrado quando você percebe que nada mais trará aquela relação de volta? A verdade então pode ser usada como arma?

Uma verdade bem dita é um soco no estômago. Uma mentira bem contata é um conforto aos ouvidos. Sua namorada não quer ouvir “sim, você está gorda” quando lhe questiona a respeito disso. Muito menos irá ficar feliz caso você prefira ser ainda mais sincero, rebatendo “Você não está gorda. Você é gorda” quando questionado a respeito.

Mentir não é saudável, mas falar a verdade, causando estragos, é menos saudável ainda. Não quero aqui começar uma onda de mentiras e levantar a bandeira dos super sinceros. Só quero apontar que a mentira, bem como a verdade, deve ser usada com carinho, com respeito. Não podemos banalizar a única coisa que temos que ainda nos mantém nos trilhos. Não podemos gritar aos quatro cantos as verdades de nossas vidas. Certas verdades devem ficar escondidas e não serem reveladas nunca, se possível.

Entre verdades e mentiras (e um episódio de House que me inspirou nesse texto), escolha a que mais lhe convier, tendo em mente que do outro lado, tanto da verdade quanto da mentira, há uma pessoa ouvindo-a e que poderá não saber distinguir. Quando parar pra pensar, pode ser tarde demais.

Esfregando a nareba no asfalto

Há quem diga o contrário (eu e minha mãe, por exemplo), mas muitas pessoas insistiam em me chamar de narigudo durante uma parte da minha vida. Não posso dizer que meu nariz possui um tamanho normal, tendo em vista o da maioria das pessoas, que parece que foi esculpido a mão por um cirurgião desses famosos. Meu nariz é “um pouco” maior que o normal e acho que foi esse “pouco” que me permitiu ficar entre a linha tênue de ser um “narizinho” e de não ser uma pessoa deformada ao melhor estilo  “chocolate” Sloth de ser.

Quando criança sonhamos em fazer coisas que nunca seríamos capazes em outra época. Andamos de patins, tentamos saltar distâncias impossíveis, brincamos de coisas que nos dão vergonha hoje em dia, soltamos pipa, rodamos peão, bola de gude, entre outras coisas inocentes, com fins de simplesmente nos divertir.

Algumas brincadeiras são avaliadas como perigosas por nossos pais simplesmente por julgarem que em meio a essas inocentes brincadeiras nós possamos acabar com o nariz sangrando, uma perna quebrada ou uma costela de fora. Mal sabem eles que correr atrás de pipa, rodar peão e jogar bola de gude são muito mais perigosas, pois envolvem a fúria dos mancebos perdedores e essa, meu amigo, é uma fúria que ninguém, por mais macho que seja, quer sentir.

Uma das minhas brincadeiras preferidas era andar de bicicleta. Eu tinha uma bicicleta Monark, que infelizmente não possuo foto alguma para ilustrar, mas ela era um tom meio roxo (para não dizer rosa), com uns rajados verdes e um guidon enorme de cor verde forte.. Era minha querida amiga nas horas de diversão.

Eu não soube andar de bicicleta por um longo período da minha vida. Nos primeiros anos eu era pequeno, anos seguintes eu morei em prédio e outro período eu só tinha um cagaço filho da puta mesmo. Mas superei.

Uma das pessoas responsáveis por me fazer perder o medo era um amigo de época chamado Diego, que espero estar bem nos dias de hoje. Por mais que vocês pensem coisas insólitas sobre nós, em nossa ávida juventude, nunca tivemos uma relação carnal nem nada do tipo. Eu era homem, ele também. Só éramos amigos, por mais que vocês continuem pensando nisso (logo, gays são vocês que ficam imaginando certas coisas).

Diego, este pequeno jovem, na época, me ensinou os truques para andar de bicicleta e superar meu medo foda que tinha. Ele possuía um resto de metal com duas rodas que nos permitia nos equilibrar e nos divertir por toda uma tarde, durante meses. E, para não me acusarem de não ilustrar nada, trago a vocês uma foto do objeto descrito acima.

eu

Este é o pedaço de metal que lhes falei (Sim, sou eu na foto).

Então, com o tempo, consegui aprimorar minhas habilidades com a moto “desmotorizada” e solicitei aos meus responsáveis uma bicicleta própria, para que eu não precisasse mais usufruir da bicicleta alheia para ter um pouco de diversão.

Então, dias depois (acho que Natal ou aniversário, ambos são bem próximos) eu recebi em minhas mãos aquela que seria responsável pelo meu futuro arrependimento de me aventurar na minha amiga de metal.

Em um fatídico dia (não me peçam para lembrar a data) eu e mais uma dezena de mancebos nos reunimos para apostarmos corrida, corrermos em círculo ou simplesmente vaguear por aí, como se pudéssemos decidir o nosso destino. Mesmo que o destino fosse ficar rodeando a vizinhança algumas centenas de vezes. Éramos a versão mirim dos “motoqueiros selvagens“.

Morávamos em uma vizinhança com blocos bem definidos. Nada daquelas favelas homogênicas que os blocos não se dividiam de forma concreta, até que você não entenda mais onde começa uma rua e termina outra. Nada disso, nosso bairro era um local muito legal de se viver.

Corríamos em formato de 8 entre os quatro blocos principais do lugar. Um grupo de cerca de 15 corredores ávidos por aventura e diversão, vivíamos nosso próprio momento Sessão da Tarde. Crianças, com energia, vontade de aparecer e toda aquela coisa que temos quando somos crianças. É claro que eu não podia ficar para trás. Literalmente falando.

Em meio a tanta disparidade de idades em nosso grupo, percebi que minhas frágeis pernas não estavam dando conta do recado de me manter entre os primeiros colocados de nosso passeio. Respirei fundo quando vi que estava ficando pra trás e forcei os músculos das minhas pernas ao máximo. Comecei a correr como se não houvesse amanhã. Conseguia sentir o olhar de “Caralho, como esse muleque é foda” dos outros “competidores”. Podia perceber o tamanho da inveja que recaía sobre mim naquele célebre momento. Inveja essa que me erguerio ao alto patamar das fofocas na escola, no dia seguinte. Até que PLAFT.

“PLAFT” não traduz bem o que aconteceu naquele momento. Seria preciso muito mais que uma onomatopéia para definir a minha queda. Seria preciso mais terror que os cartazes de “Jogos Mortais”. A queda foi realmente feia. Numa das esquinas, eu cortei um de meus companheiros e passei por uma área por fora da “rua”, por assim dizer. Essa área era mais pedregosa e possuía um bueiro (muito do filho da puta). Não sei se para segurar a tampa do bueiro ou simplesmente para me fuder, foi posto um vegalhão dobrado, em forma de “D deitado” no concreto que circundava o bueiro. Algo que só os pedreiros de beira de estrada devem entender. O que sei é que a roda da minha bibicleta foi direto neste pequeno objeto e bateu. A batida não foi grande, mas foi forte o suficiente para me fazer desequilibrar e me estatelar no chão. Estava eufórico e não tive tempo de levar minha mão ao rosto, para me proteger da queda. Meu nariz (e somente ele) esfregou-se no chão graças a força da gravidade e do tamanho do mesmo. Tenho a impressão de que este “esfregaço” durou por cerca de uns 500 metros, mesmo sabendo que isso seria tecnicamente impossível, dada as perfeitas condições que ele se encontra hoje.

Não lembro muito do que aconteceu após isso, lembro-me de ter ficado em casa por muito tempo para recompôr-me do estrago e de atender as pessoas no portão com a cabeça baixa, envergonhado com o desfecho do meu dia de motoqueiro selvagem. Não fiquei traumatizado de andar de bicicleta, mas foi constrangedor esfregar toda a cara no asfalto e perceber que só maculei o Nariz. Sinal de que algum fundo de verdade tem sobre aquelas brincadeiras feitas na escola